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segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Datas comemorativas nas Artes Marciais

Krav Maga

No dia 18 de janeiro é comemorado o Dia Nacional do Krav Maga. Esta data foi instituída por lei federal no Brasil para celebrar a chegada do Grão Mestre Kobi Lichtenstein ao país em 1990, responsável por difundir essa defesa pessoal israelense na América Latina.

Hapkido

O Dia Nacional do Hapkido no Brasil é comemorado no dia 25 de janeiro. Data marca o primeiro exame de faixa preta de Hapkido realizado no país em 1974, sendo uma celebração da arte marcial coreana de defesa pessoal, com eventos e exames de graduação ocorrendo em várias academias e federações em todo o Brasil. 

Muay Thai

O Dia do Muay Thai é comemorado em duas datas diferentes. A primeira em 6 de fevereiro, em celebração da coroação do Rei Pra Chao Sri Sanphet VIII, também conhecido como Phra Chao Suea (Rei Tigre). O Rei Tigre era um grande incentivador do Muay Thai e habilidoso em combate. A segunda data, 17 de março, comemora a bravura do lendário lutador Nai Khanom Tom, prisioneiro de guerra que lutou e venceu 10 guerreiros birmaneses, sendo considerado o "Pai do Muay Thai". Foi a primeira vez que o Muay Thai foi exibido fora da Tailândia em combate. 

Boxe

Existem duas datas que comemora esta luta. A primeira o Dia Nacional do Boxe, celebrado no dia 26 de março, quando começou a desenvolver o boxe no Brasil, lembrando figuras como por exemplo, Eder Jofre, Adilson "Maguila" Rodrigues, Acelino "Popó" Freitas.  A segunda é o Dia Internacional do Boxe, em 27 de agosto, que reconhece a importância do esporte, celebrando atletas e a disciplina, coragem e superação que ele inspira, e homenageia a primeira edição do Campeonato Mundial de Boxe em 1974.

Kung Fu

No Brasil, o Dia Nacional do Kung Fu é comemorado em 11 de abril, em homenagem à chegada do Mestre Chan Kwok Wai ao país em 1960, sendo ele o responsável por popularizar a arte marcial chinesa no país.

Já o Dia Mundial do Wushu-Kungfu (World Wushu Kungfu Day - WWKD) é celebrado no primeiro sábado do mês de agosto, com datas variando ligeiramente (como 7, 9, 10 de agosto em anos recentes), promovida pela Federação Internacional de Wushu (IWUF) para celebrar a arte marcial chinesa e é sempre acompanhado por um tema.

Aikido

O Dia Nacional do Aikido é comemorado em 26 de abril. A data homenageia o fundador do Aikido, Morihei Ueshiba (O'Sensei), que faleceu nesta data e serve para promover a união e a prática pacífica do Aikido. Instituída em São Paulo por lei municipal (Lei 17.780/2022) e comemorada nacionalmente pela Federação Brasileira de Aikido (Febrai) e outras entidades, como o Instituto Sul-Brasileiro de Aikido (Insbrai).

Dia Mundial do Faixa Preta

O Dia Mundial do Faixa Preta é comemorado em 23 de abril, uma data para celebrar a disciplina, superação e dedicação dos praticantes de artes marciais (como Karate, Judô, Taekwondo) que alcançaram o nível de faixa preta, simbolizando o início de uma jornada de aprendizado contínuo e honra. 

Tai Chi Chuan

Celebrado sempre no último sábado do mês de abril, o Dia Mundial do Tai Chi Chuan com o objetivo de promover essa prática milenar chinesa, conhecida por seus movimentos lentos e benefícios para a saúde física e mental, sendo também reconhecido em 2020, como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.

Capoeira e do Capoeirista

O Dia Mundial da Capoeira é comemorado em 5 de julho, data instituída em 2009, celebrando essa arte afro-brasileira que une luta, dança, música, resistência destacando sua história de superação e identidade. A data foi instituída em 2009, durante a Primeira Convenção Internacional de Capoeira, no Azerbaijão.

Já o Dia do Capoeirista é celebrado em 3 de agosto., uma data para homenagear aquele que mantém viva essa rica expressão cultural brasileira que mistura luta, dança, música e história, sendo reconhecida em 2014, como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil e da Humanidade.

Taekwondo

O Dia Mundial do Taekwondo é comemorado em 4 de setembro, data que celebra o reconhecimento da modalidade como esporte olímpico, sendo incluído no programa oficial dos Jogos de 1994, sendo uma celebração global da arte marcial coreana de chutes, disciplina e superação. Esta data foi definida durante a Assembleia Geral da WTF, no dia 25 de julho de 2006, em Ho Chi Minh, Vietnã.

Karate

Possui duas datas importantes para comemorar. A primeira no dia 11 de setembro, onde é comemorado o Dia Nacional do Karate. Data escolhida pela Confederação Brasileira de Karate – CBK, e divulgada por meio de uma Resolução de 01 de fevereiro de 2002, que instituiu esta data como símbolo da emancipação do karate, que antes era vinculado à Confederação Brasileira de Pugilismo, além de ser a data de fundação da CBK. A segunda data comemorativa é 25 de outubro, o Dia Mundial do Karate. Data estabelecida pela Organização Mundial de Karatê (WKF) para celebrar a arte marcial japonesa, honrando uma reunião histórica de mestres em Okinawa em 1936 que ajudou a unificar e desenvolver o karatê, promovendo seus valores de disciplina, respeito e autoconhecimento. 

Jiu-jitsu

O Dia Mundial do Jiu-Jitsu é comemorado em 14 de setembro. A data foi escolhida para homenagear ao nascimento do Mestre Carlos Gracie, considerado o grande pioneiro e um dos responsáveis por adaptar e difundir a arte marcial no Brasil e no mundo, celebrando os valores de disciplina, respeito e superação que o esporte promove. 

Judô

O Dia Mundial do Judô é comemorado anualmente em 28 de outubro, data que celebra o aniversário de seu fundador, o Mestre Jigoro Kano, e reforça os valores da modalidade como paz, respeito, amizade e disciplina, sendo um dia para homenagear o judô como ferramenta de formação de cidadãos e construção de um mundo melhor. 

Kickboxing

O Dia Internacional do Kickboxing é comemorado em 30 de novembro, data em que o esporte foi reconhecido pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) em 2018, tornando-se parte da família olímpica através da WAKO (World Association of Kickboxing Organizations). 

sexta-feira, 26 de setembro de 2025

Mestres de Artes Marciais – Mitsuyo Maeda

Considerado o precursor do jiu-jitsu no Brasil. Mitsuyo Maeda, mais conhecido como Conde Koma, nasceu em 18 de novembro de 1878, na cidade de Aomori, Japão e faleceu em 28 de novembro de 1941, na cidade de Belém, Pará.

Ele teve um papel fundamental no desenvolvimento do Jiu-Jitsu Brasileiro, ao ensinar o Kano Jiu-Jitsu (Judô) à família Gracie, que posteriormente adaptou e desenvolveu sua própria abordagem da arte marcial.

Maeda participou de mais de 2 mil lutas profissionais, com uma taxa impressionante de vitórias. Por seus feitos, é considerado o “pai do Jiu-jitsu brasileiro” ou "percursor do Jiu-jitsu brasileiro".

História

Quando criança Maeda praticou sumô, a arte marcial tradicional japonesa. Contudo, sua baixa estatura (1,64m) e peso leve (64 kg) limitaram suas chances de sucesso no esporte.

Na adolescência, Maeda foi atraído pelo crescente sucesso do Judô, especialmente após as vitórias em competições contra lutadores de Jiu-Jitsu tradicional, o que gerou grande interesse pelo estilo criado por Jigoro Kano.

Em 1894, quando ele tinha 17 anos, seus pais o enviaram para Tóquio para estudar na Universidade de Waseda, e ele se matriculou no Kodokan, a academia de Judô fundada por Jigoro Kano, em 1895, onde Maeda foi treinado por Tsunejiro Tomita, um dos primeiros alunos de Jigoro Kano e um dos pioneiros do Judô. 

Maeda rapidamente se destacou, tanto por sua habilidade técnica quanto por sua perseverança. 

Em 1904, Maeda foi promovido a sandan (3º dan) no Kodokan, após derrotar oito adversários consecutivos em um torneio interno. Ele ficou conhecido por sua abordagem prática do Judô, tratando treinos como combates reais, algo que inspirava alguns alunos, mas intimidava outros.

Maeda viajou por diversos países, incluindo Inglaterra, França, Espanha, Cuba e México, participando de competições contra lutadores de diferentes estilos, como boxe, luta greco-romana e Jiu-Jitsu clássico. Foi durante uma turnê pela Espanha (conforme mencionado no primeiro parágrafo), em 1908, que ele recebeu o apelido de “Conde Koma”, devido à sua calma e destreza em combate.

Maeda chega ao Brasil

Em 1914, Maeda chegou ao Brasil, junto com Soishiro Satake, e realizou uma série de demonstrações em Manaus e Belém. Enquanto Satake permaneceu em Manaus e fundou a primeira academia de Judô registrada no Brasil, Maeda continuou a viajar pelo país, promovendo o Judô e participando de competições.

Foi em 1917, em Belém, que Maeda conheceu Gastão Gracie, um influente homem de negócios e sócio do American Circus em Belém, o ajudou a se estabelecer no país. Durante uma apresentação de judô no Teatro da Paz em Belém do Pará, o filho mais velho de Gastão, Carlos Gracie, um jovem interessado em aprender suas técnicas. Maeda ensinou os fundamentos do judô para Carlos, que, junto com sua família, adaptou essas técnicas para criar o Jiu-Jitsu Brasileiro, um sistema focado em combates reais e defesa pessoal.

Em 1921, após a família Gracie ter mudado para o Rio de Janeiro, Conde Koma finalmente abriu uma academia em Belém do Pará, a escola pioneira do esporte no Brasil, já em 1930, se naturalizou no Brasil e mudou seu nome para Otávio Maeda.

Maeda, passou o resto de sua vida no Belém do Pará ensinando o judô em sua academia. Após sua morte em 28 de dezembro de 1941, a academia Conde Koma Judô clube ficou aos cuidados de seus 2 maiores discípulos, Sebastião Oli e Nakasan.

Sobre o apelido

De acordo com o site da imigração japonesa no Brasil, “Quando o Maeda entrou em Barcelona, ele viu um anúncio sobre uma palestra a ser realizada por uma pessoa que dizia ser o campeão japonês de judô, mas esta era a pessoa que o Maeda também conhecia e não era de maneira alguma, uma pessoa com habilidade suficiente para ser chamado de campeão. Então, decidiu dar-lhe uma lição e resolveu chamá-lo para uma luta utilizando outro nome, para que a pessoa não descubra que o seu oponente seria o Maeda e não fuja da luta ao saber disso. Ele não conseguia imaginar um nome bom e também estava sem dinheiro nesta época, portanto reunindo estes fatos ele primeiramente pensou em utilizar o nome “Maeda Komaru” (“Komaru” representa em japonês uma situação em que“está com problemas”). No entanto, ele utilizou somente o “Koma” deste termo e colocou a palavra “Conde”do espanhol na sua frente, nascendo assim o nome “Conde Koma”. O Maeda desafiou uma luta como Conde Koma, mas o oponente logo percebeu que seu adversário era o Maeda e fugiu da luta. No entanto, graças à esta lição, este indivíduo parou de chamar a si mesmo de campeão de judô.”

Fonte:

https://www.ndl.go.jp/brasil/pt/column/kodekoma.html

https://revistatimeline.com/a-historia-de-mitsuyo-maeda-1a-parte/

https://coisasdojapao.com/2017/08/mitsuyo-maeda-conheca-historia-do-nipo-brasileiro-percursor-do-brazilian-jiu-jitsu/

quinta-feira, 24 de dezembro de 2020

Um pouco da história do Jiujitsu

 

Significado do Jiu-Jitsu

O Jiu Jitsu (柔術, pronuncia-se em japonês “dju-djutsu”, literalmente “Arte Suave”, “Técnica Suave” ou “Arte Flexível”), também romanizado algumas vezes como Ju-jitsu ou Ju-jutsu (principalmente quando se faz referência a estilos tradicionais). Tony Ferraz

Conheça algumas nomenclaturas utilizadas no Japão para essas artes eram: Taijutsu, Yawara, Judô (estilo marcial da era Edo, muito diferente do Judô atual), Kogusoku, Torite, Kenpo, Hakuda, Shubaku, embora sejam todas popularmente e tradicionalmente conhecidas genericamente como Jiu-Jitsu. Normalmente Kogusoku e Torite se referiam a métodos de captura, e Taijutsu e Judô geralmente se referiam a prática de luta corporal com armas e arremessos.

Origem

O Jiu Jitsu é uma arte marcial que tem diversas histórias para sua origem. Muitos acreditam que essa arte marcial teve origem no Japão, outros falam que surgiu na Índia, onde era praticado por monges budistas, que levou a arte para China e depois Japão, quando expandia o próprio budismo, e muitos outros que nasceu na China, além dessas histórias temos também muitas outras que falam do surgimento do Jiu Jitsu, como a do médico Akiyama Shirobei que foi de Nagasaki no Japão para China, aprendendo Hakuda (técnica de luta tradicional chinesa) e quando retornou, criou o Jiu Jitsu, mas essa versão da origem do Jiu Jitsu não é confiável afirmar, pois só a escola Yoshin reconhece essa história. Falam que Chen Yuan Ping, no século XVII, levou as técnicas de Jiu Jitsu da China para o Japão, e que ele ensinou três Ronin (samurais sem senhor), Fukuno Hichiroemon, Miura Yojiemon e Isogai Jirozamon, que inspirados pelos conceitos básicos, desenvolveram um estilo próprio de Jiu Jitsu, sendo que textos tradicionais japoneses mostram que Chen Yuan Ping, levou apenas o Kempô ou Hakuda para o Japão em 1659, até porque os livros chineses da época, mostram que essas técnicas eram basicamente de chutes e empurrões, o que torna difícil que essas técnicas tenham progredido para uma arte tão refinada tecnicamente quanto o Jiu-Jitsu japonês, também tem a teoria que a arte suave originou-se na Era dos Deuses, e é uma invenção puramente japonesa, assim como o Sumô, que é a arte mais antiga do país, tendo em vista a cultura de guerra dos japoneses e fato dos povos selvagens utilizarem em sua maioria técnicas de grappling, o mais provável, que as técnicas tenham evoluído a partir de um embrião de luta-agarrada, como o Sumô, que foi modificada durante séculos através dos conceitos chineses do Ju (suavidade).

“A primeira menção escrita sobre o Jiu-Jitsu está presente no livro “Judô Higakusho” (Registros secretos do Judô), da era Edo (1600-1868) que afirma: “Grappling foi popular desde o período Esei (1504-20 A.D.)””.

Hisamori Tenenuchi, foi o fundador da primeira Escola de Jiu-Jitsu no Japão, em 1532, quando houve o primeiro registro da palavra jiu-jitsu. Só quando Jigoro Kano, mestre japonês, membro do departamento cultural, que praticava jiu-jitsu, que a arte começou a ser bem vista. Jigoro Kano revolucionou a técnica, criando seu próprio estilo no final de 1800 e chamou de judô, com os mesmos fundamentos do jiu-jitsu.

Segundo Jigoro Kano, o que se pode dizer com certeza é que o Jiu Jitsu evoluiu através de diversas gerações e graças a genialidade de várias pessoas. Acreditasse que sua popularidade não aconteceu antes do meado do século XVII, ou seja, da época de Chen Yuan Ping.

O Jiu Jitsu só começou realmente a se desenvolver no Japão, quando a guerra cessou e os Samurais passaram ocupar posições políticas e com isso tinham mais tempo para se dedicar as artes e inclusive ao Jiu Jitsu, os cidadãos comuns que foram proibidos de utilizar armas, também praticavam a arte suave. A rivalidade entre as escolas de Jiu Jitsu motivou mais ainda a evolução dessa arte.

Mesmo com tantas divergências foi nessa época o Jiu Jitsu se diferenciava das técnicas rígidas nas quais usava-se armas, como espadas e punhais. Os japoneses diziam que o Jiu Jitsu é técnica de autodefesa ligada ao pensamento budista e na inteligência, não sendo necessário o uso de força bruta.

O Jiu-Jitsu, assim, nascia de sua contraposição ao kenjutsu e outras artes ditas rígidas, em que os combatentes portavam espadas ou outras armas.

A arte suave teve novos rumos quando o instrutor da escola japonesa Kodokan decidiu viajar pelo mundo provando a eficiência de seus estrangulamentos e chaves de braços contra os oponentes de todos os tamanhos e estilos. O eterno defensor das técnicas de defesa pessoal do Jiu Jitsu, “Mitsuyo Maeda, filho de lutador de sumô nascido no povoado de Funazawa, cidade de Hirosaki, Aomori, no Japão, em 18 de novembro de 1878, e falecido em Belém do Pará a 28 de novembro de 1941.” Foi para os Estados Unidos com outros professores da escola Jigoro Kano em 1904, devido aos laços políticos e econômicos entre os dois países, as técnicas japonesas tinha diversos admiradores, inclusive o presidente Theodore Roosevelt teve aulas como o japonês Yoshitsugu Yamashita.

O ágil japonês de 1,64m e 68Kg colecionou milhares de combates com adversários que encontrou pelo caminho, em diversos países como Inglaterra, Bélgica e Espanha, onde sua postura nobre fez nascer o apelido que o consagrou, Conde Koma, o lutador não parou por aí, fez diversas apresentações e desafios em países como El Salvador, Costa Rica, Honduras, Panamá, Colômbia, Equador, Peru, Chile e Argentina, só em julho de 1914 Conde Koma desembarcou no Brasil para fazer história.

Jiu Jitsu no Brasil

O japonês Mitsuyo Maeda (conhecido como Conde Koma) viajou pelo Brasil, mas se estabeleceu em Belém do Pará, depois de colecionar várias histórias durante sua viaje. Uma vez Conde Koma encarou o desafio do capoeirista conhecido como “Pé de Bola” que tinha 1,90m e quase 100kg, Maeda ainda deixou o seu rival portar uma faca, mas isso não foi suficiente para deter o japonês, que desarmou, derrubou e finalizou o brasileiro, Conde Koma sempre lançava desafios para rivais famosos do boxe, e fez o mesmo com Jack Johnson que não aceitou o desafio.

Conde Koma promoveu o primeiro Campeonato de Jiu Jitsu no país, o que na verdade era um festival com diversas lutas e desafios para promover o Jiu Jitsu que até o momento não era conhecido por todos.

Os pesquisadores Luiz Otávio Laydner e Fabio Quio Takao encontram na Gazeta de Notícias de 11 de março de 1915, as primeiras regras deste evento, realizado no Teatro Carlos Gomes, na capital do Brasil, na época Rio de Janeiro. Conde Koma anunciava o Regulamento com 10 regras simples:

1. Todo lutador deverá se apresentar decentemente, com as unhas das mãos e dos pés perfeitamente cortadas;

2. Deverá usar traje kimono, que o Conde Koma lhe facilitará;

3. Não é permitido morder, arranhar, pegar com a cabeça ou com o punho;

4. Quando se fizer uso do pé nunca se fará com a ponta e sim com a curva;

5. Não se considera vencido o que tenha as espáduas [costas] em terra ainda que tenha caído primeiro;

6. O que se considera vencido o demonstrará dando três palmadas sobre o acolchoado ou sobre o corpo do adversário;

7. O juiz considerará vencido o que por efeito da luta não se recorde que deve dar três palmadas;

8. As lutas se dividirão em rounds ou encontros de cinco minutos por dois de descanso. Tendo o juiz de campo que contar os minutos em voz alta para maior compreensão do público;

9. Se os lutadores caírem fora do tapete, sem que nenhum deles tenha avisado, o Sr. Juiz deve obrigá-los a colocar-se de novo no centro do acolchoado, em pé, frente a frente;

10. Substituirão em suas obrigações ao sr. Juiz os srs. Jurados. Nem a empresa nem o lutador que vencer é responsável pelo maior mal que possa sobrevir ao vencido, se por tenacidade não quiser dar o sinal convencionado para terminar a luta e declarar-se vencido.

Na época de Maeda havia uma confusão quanto ao nome, até mesmo no Japão, pois o termo “ju jutsu” ou “kano ju-jutsu” era utilizado quando se referia a parte técnica, e o termo judô quando era a parte filosófica, mas 1925 o governo japonês oficializou o nome judô para a luta que era ensinada nas escolas públicas, mas no Brasil o termo judô ainda não tinha sido oficializado, os brasileiros chamavam de jiu jitsu. O Jiu Jitsu Brasileiro, ou como conhecido lá fora, o Brazilian Jiu Jitsu ou BJJ (também pode ser Jujitsu ou jujutsu).

Em 1917, Carlos Gracie (1902 – 1994), viu na cidade de Belém, uma apresentação do japonês Conde Koma, que utiliza técnicas de dominar e finalizar grandes lutadores da região. Conde Koma amigo de Gastão Gracie concordou em ensinar o seu filho o inquieto Carlos Gracie e outros brasileiros como Luiz França que depois viria a ser mestre de Oswaldo Fadda. Conde Koma ensinava a esses garotos os conceitos de sua arte para defesa, tanto em pé como no chão, sendo que a força do oponente deveria ser a arma para a vitória; o uso de chutes baixos e cotoveladas ajudava a se aproximar do adversário, para daí leva-lo ao chão. Para evolução nos treinos, lançava mão do randori, o treino à vera com um companheiro.

Apesar da mãe de Carlos Gracie sonhar em ter mais um diplomata da família, Carlos se dedicou ao Jiu-Jitsu onde foi um aluno fiel e seu amor pela arte foi incutida em seus irmãos Oswaldo, Gastão Jr., George, Helena, Helio, Mary e Ilka. Em 1925 foi fundada a primeira Academia de Jiu-Jitsu da família Gracie, que criou um slogan que foi divulgado nos jornais “Se você quer ter um braço quebrado procure a academia Gracie”.

Carlos Gracie teria 21 filhos, sendo que 13 deles se tornariam faixas-pretas, Carlos foi o primeiro membro da família a participar de uma luta sem regras, a que chamou de “vale tudo”. Carlos Gracie enfrentou em 1924, no Rio de Janeiro, o estivador Samuel, atleta de capoeira.

As inovações nas técnicas do jiu-jitsu foram promovidas pelo seu irmão Hélio Gracie instrutor de corpo franzino que tinha um espirito indomável.

No Rio de Janeiro os Gracie continuaram com os desafios a capoeiristas, estivadores e valentões de todas as origens e tamanhos. Em pé os desafiantes botavam medo, mas no chão viravam presa fácil para os botes e estrangulamentos que os capturavam como mágica.

A família Gracie acumulou diversas vitórias em lutas sem regras e virando lendas e manchetes nas primeiras páginas. Os alunos famosos também – artistas, arquitetos, ministros de estado, prefeitos, governadores, cirurgiões e doutores de todos os ofícios.

Os campeonatos entre praticantes com regras exclusivas do jiu-jitsu foram se fortalecendo e tendo a participação de dezenas de academias diferentes.

Carlson Gracie pegou o bastão do seu tio Hélio nos anos de 1960, ficando na linha de frente do clã no vale-tudo, nesse momento foi dado um passo a consolidação do Jiu-Jitsu Esportivo.

A Federação de Jiu-Jitsu da Guanabara, no Rio de Janeiro, foi fundada em 1967, sob autorização da Confederação Nacional de Desportos do país. Foram criadas regras mesmo que ainda primitivas, oficializando tempo e pontuações nos campeonatos como: manobras como queda, montada de frente com dois joelhos no chão e pegada pelas costas rendiam um ponto ao competidor. A duração dos combates na categoria adulta era de cinco minutos, com prorrogação de três.

O presidente da Federação era Helio Gracie, e o presidente do Conselho Consultivo era Carlos. Seu primogênito, Carlson, era o diretor do departamento técnico. O primeiro vice técnico era Oswaldo Fadda e o segundo, Orlando Barradas – ambos professores de Jiu-Jitsu. João Alberto Barreto, notável aluno dos Gracie, foi nomeado diretor do departamento de ensino, que tinha como vice-diretor um irmão de Carlson, Robson Gracie – todos hoje grandes mestres da arte.

Nos anos 1990, a arte teve um novo boom. Em duas frentes: criado por Rorion Gracie em 1993, o Ultimate Fighting Championship deu o pontapé inicial (no queixo) no esporte midiático conhecido hoje como MMA. A partir do ídolo Royce Gracie, e com o suor derramado por irmãos e primos aparentemente invencíveis como Rickson, Renzo, Ralph, Royler, Ryan, Carley e companhia, o Jiu-Jitsu como arma de defesa pessoal estava consagrado.

Em outra frente, Carlos Gracie Jr. seguiu a obra do pai na organização dos campeonatos e no fortalecimento da arte como esporte regulado. Estava criada, assim, em 1994, a Federação Internacional de Jiu-Jitsu, assim como a Confederação Brasileira de Jiu-Jitsu, filiada ao Comitê Olímpico Brasileiro, que hoje promovem torneios para mais de 3 mil atletas de mais de 50 países, como o Campeonato Mundial, realizado anualmente desde 1996.

A técnica Jiu-Jitsu

Para derrubar o adversário utiliza-se a força e o peso do adversário contra ele, sendo permitido, inclusive, lançar o adversário em queda. São utilizadas saídas de gravata, contra-golpes, esquivas e etc. Mas as técnicas principais do jiu-jitsu, são os golpes que buscam imobilizar e neutralizar o adversário, através de estrangulamentos e torções das articulações, como braço, tornozelo, etc. É permitido o uso dessas técnicas de luta de chão, com ambos deitados.

São proibidas atitudes como: atingir os órgãos genitais, morder, enfiar os dedos nos olhos, puxar cabelo, torcer dedos, etc.

A área onde ocorre a luta, o tatame, deve ter no mínimo 64,00 m2 e no máximo 100 m2. Se a área total é de 64 m2, a área interna, onde a luta irá acontecer, deve ser de 36,00 m2. O restante é considerado área de Segurança, e deve ter cor diferente.

 

Fontes:

https://www.graciemag.com/historia-do-jiu-jitsu/

https://bjjfanatics.com.br/blogs/news/qual-e-de-fato-a-origem-do-jiu-jitsu#:~:text=Algumas%20nomenclaturas%20utilizadas%20no%20Jap%C3%A3o,conhecidas%20genericamente%20como%20Jiu%2DJitsu.

sexta-feira, 17 de abril de 2015

CONHEÇA O HISTÓRICO E SITUAÇÃO ATUAL DAS ARTES MARCIAIS NO BRASIL

Em junho de 1908 os japoneses desembarcaram do navio Kasato Maru, no porto de Santos. Ali, iniciava a história dos japoneses no Brasil. Anos mais tarde, começam a aparecer os primeiros mestres de artes marciais no país.
No século XX, chegam ao Brasil as lutas orientais como Karatê, Judô, Jiu-jítsu e Taekwondo. O boxe, apesar de ser uma luta, não é considerado como arte marcial.  De acordo com o site da Confederação Brasileira de Jiu-jitsu (2013), Esai Maeda Koma, conhecido como Conde Koma, foi o primeiro a trazer as artes marciais para o Brasil, através do Jiu-jitsu, que se fixou na cidade do Belém/PA. Tempos depois, conheceu Gastão Gracie, pai de Carlos Gracie, que passou a treinar com Conde Koma. Anos mais tarde, Carlos Gracie viajou para o Rio de Janeiro e outras cidades do sudeste do país para divulgar sua arte, mas escolheu a cidade do Rio de Janeiro para se firmar. A partir daí, passou a ensinar seus irmãos menores, inclusive Hélio Gracie de 12 anos. Carlos Gracie aprimorou as técnicas e transmitiu sua filosofia de vida para seus irmãos e seus alunos, com isso, mudaram as regras internacionais do Jiu-jítsu japonês e, em consequência, ocorreu o primeiro caso de transferência de nacionalidade de luta, onde a arte marcial japonesa passou a se chamar Jiu-jítsu brasileiro e foi exportado para todo o mundo, inclusive para o Japão.
O Judô que teve sua raiz no Jiu-jitsu, segundo o site da Federação Baiana de Judô (2013), surge no Brasil por volta de 1922, com Eisei Maeda, que fez sua primeira apresentação na cidade de Porto Alegre/RS, depois se transferiu para cidade de Belém/PA, onde popularizou esta arte. Em 1938, chega ao país um grupo japonês liderado pelo professor Riuzo Ogawa para fundar a Academia Ogawa, com objetivo de difundir a arte através do esporte do kimono. Em 1969, era fundada a Confederação Brasileira de Judô, a qual só foi reconhecida por um decreto de 1972. O termo Judô significa Caminho Suave, onde Ju – Suave e Do – Caminho.
Conforme o site da Federação Bahiana de Karatê (2013), a partir da década de 50, com o professor Mitsuke Harada, é fundada a primeira academia de karatê na cidade de São Paulo. Outros professores como Juichi Sagara, em São Paulo; Yasutaka Tanaka, Sadamu Uriu no Rio de Janeiro e Eisuke Oishi na Bahia, também fundaram suas academias. O termo Karatê-Do significa caminho das mãos vazias, onde Kara – vazias, Te – mãos e Do – caminho.
Em 1970, chega ao Brasil, o Taekwondo, com o mestre Sang Min Cho. Em 08 de agosto de 1970 é fundada a primeira academia de Taekwondo no bairro da liberdade, em São Paulo. Segundo o site taekwondobr (2013), após a chegada do primeiro Grão-mestre Sang Min Cho, outros mestres vieram difundir e ensinar em várias partes do país, inclusive na Bahia, com o mestre Jung Do Lim. Em 1973, ocorre à primeira competição de Taekwondo no país, o Campeonato Carioca, meses depois acontece o Campeonato Brasileiro de Taekwondo em São Paulo. Em 1990, com a reforma estatutária, a Associação Brasileira de Taekwondo (ABT) transforma-se em Confederação Brasileira de Taekwondo (CBTKD).

De acordo com o site da Federação Rio-Grandense de Pugilismo, o Boxe (2013) foi visto no Brasil a partir de 1910, através de filmes de lutas (naquela época as notícias eram passadas no cinema, e dependendo do lugar, só chegava anos depois.) que ocorriam nos Estados Unidos. Em 1913, ocorreu uma apresentação de luta entre um francês e o brasileiro Luis Sucupira, o “Apolo Brasileiro”, a qual o brasileiro terminou perdendo e, após isso, se tornou admirado pelos fãs do pugilismo. A divulgação do boxe começou realmente em 1919, com Góes Neto, marinheiro carioca que aprendeu o boxe durante suas viagens pela Europa e, com o apoio do sobrinho do Presidente da República, Rodrigues Alves, começa a surgir várias academias. Em 1923, surgia o primeiro lutador conhecido pelo público, - o “Ditão” - Benedito dos Santos, que após ter nocauteado três adversários, os empresários brasileiros viram uma oportunidade de um bom negócio com o lutador argentino Spalla, que estava de passagem pelo país. A luta entre eles terminou com a derrota de Ditão e com um derrame cerebral, tornando-se inválido. Após isso, o governo de São Paulo proibiu as lutas por causa da campanha dos jornalistas da época. A época de ouro do boxe brasileiro foi entre 1926 a 1932, a partir da década de 50, inicia-se uma nova era do boxe brasileiro, a qual o mega-empresário Jacó Nahun consegue fazer um intercâmbio entre os boxeadores do Brasil com os boxeadores da Argentina. Na década de 60, surge o maior boxeador da história do Brasil, Eder Jofre, depois veio Adilson Rodrigues “Maguila”, na década de 80 e no final da década de 90, Acelino de Freitas, “Popó”.

Escrito por Van Pires
Professora de Karate e Empresária