Mostrando postagens com marcador Cultura Oriental. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Cultura Oriental. Mostrar todas as postagens

sábado, 21 de março de 2026

Gekan: transição do espaço externo para o interno da casa japonesa

É a área de entrada das casas japonesas, geralmente em um nível mais baixo que o restante da casa, onde as pessoas retiram os calçados antes de entrar em casa.

O genkan (玄関) é um espaço localizado na entrada principal da casa japonesa que marca o limite entre o ambiente externo (rua) e o interno (casa), embora esteja dentro de casa. Esta área também é um local de recepção rápidas e de interação.

Costume japonês que muitos países já conhecem e adaptaram para sua realidade usando outros recursos, como por exemplo, o uso de um banquinho com sapateira.

A prática de tirar os sapatos está ligada à cultura japonesa de manter os ambientes internos limpos, especialmente porque tradicionalmente se vive, come e dorme no chão (como nos tatames). O mesmo se aplica as ryokans (hospedarias tradicionais japonesas), templos e até mesmo restaurantes com salas de tatame.

Após retirar os sapatos, deixa-los sempre voltados para a porta e em seguida colocar as surippas (chinelo ou pantufa japonesa) que é encontrado no genkan para ser usado dentro de casa. Lembrando que o calçado só não pode ser usado sob o tatame.

A função principal do genkan

É “além de servir como local para tirar os sapatos, o genkan também funciona como uma área para receber visitas e encomendas. No passado, era comum que os visitantes fossem recebidos no genkan sem serem convidados a entrar na casa. Transações comerciais, como pagar contas ou receber encomendas, também podiam ocorrer nesse espaço de transição.

O genkan também serve como área de armazenamento para itens de uso externo, como sapatos, guarda-chuvas e casacos. Muitos genkan possuem armários embutidos para sapatos, chamados getabako (下駄箱), onde os moradores podem guardar seus calçados de forma organizada. Guarda-chuvas e casacos podem ser colocados em suportes ou ganchos específicos dentro do genkan.”

Um pouco da história e do significado cultural do genkan

Na cultura japonesa “tirar os sapatos antes de entrar em uma residência tem uma longa história no Japão, remontando a mais de mil anos. O genkan, como elemento arquitetônico distinto, surgiu durante o período Edo (1603-1868), quando se tornou um símbolo de status social. Possuir um genkan era um privilégio reservado à classe samurai, aos aristocratas e a indivíduos de alta posição.

Com a evolução da sociedade japonesa, o genkan tornou-se um elemento padrão na maioria das casas, refletindo os valores culturais de limpeza, respeito e separação entre espaços públicos e privados. O ato de tirar os sapatos no genkan representa a transição do mundo exterior para o espaço íntimo e limpo do lar.”

Origem da palavra genkan 玄関

“Na linguagem budista há uma frase que expressa bem sua etimologia e que diz “genmyô na michi ni hairu kanmon 玄妙な道に入る関門”, isto é “passagem para entrar no caminho misterioso”. Gen (玄) significa “as profundezas da iluminação espiritual”. Kan (関) indica a entrada. Em outras palavras, há um profundo significado aí expresso, de ingressar nas profundezas do caminho do Budismo. Por isso se pensa que é importante mantê-lo sempre limpo.”

Sobre a estrutura do gekan

“Os verões japoneses são quentes e úmidos, e os invernos, secos. Para lidar com essas condições climáticas, as casas geralmente eram estruturas de madeira projetadas para controlar a umidade. As estruturas eram elevadas para manter a fundação seca e evitar o apodrecimento, o que significava ter que subir um degrau na entrada da casa. Esse degrau é o agarikamachi, que geralmente é revestido com madeira decorativa.

Estruturas de concreto, como prédios de apartamentos, não precisam ser erguidas do solo, mas as unidades nesses edifícios também possuem um degrau na entrada, indicando que é ali que os calçados devem ser retirados. Independentemente do estilo da moradia, a sensibilidade japonesa em relação à limpeza dita que qualquer coisa impura deve ser mantida fora de casa.”

Características do Genkan

Como já vimos, no Japão há o costume de se tirar os sapatos para entrar em casa, na entrada (genkan) há uma área para isso, chamada doma 土間 (piso de terra batida, chão sem assoalho). Em seguida há uma diferença de altura, pois é comum que o interior da casa esteja em nível mais elevado. Isso se deve ao fato de que o Japão tem um clima úmido, e tal elevação evita que a umidade do solo danifique o alicerce, os pilares e pisos com rachaduras ou mofo. Os visitantes às vezes conversam sentando-se nesta parte do degrau, e muitas vezes aí mesmo resolvem assuntos simples, sem ter que entrar em casa. O fato de tirar os sapatos para subir neste degrau significa, no consenso dos japoneses, que do espaço externo tem-se acesso ao espaço interno.

O genkan possui alguns elementos característicos, são eles:

Doma 土間 (chão) – Piso de terra batida ou chão sem assoalho. É usado como um termo genérico para pisos onde se tira e calça os sapatos. Também é chamado de tataki (三和土). Originalmente, o doma significava “o chão de terra batida no interior da casa”.

Agarikamachi 上がり框 (viga de madeira colocada em horizontal ao degrau do piso de entrada). Este degrau separa o nível entre o interior e o exterior. Os visitantes podem sentar-se ali ao tirar os sapatos; o degrau elevado também ajuda a manter a poeira da rua fora da casa.

Shikidai 式台 (degrau adicional para facilitar o acesso). No genkan, quando o agarikamachi é alto, instala-se o shikidai (tábua entre o chão e a viga de madeira horizontal agarikamachi), para facilitar a subida ou descida das pessoas. A origem do shikidai vem da peça de madeira instalada nas residências dos samurais, para que nenhum convidado pisasse o chão ao subir no palanquim. Além disso, em vez da tábua de madeira do degrau inferior (shikidai), coloca-se uma base de pedra achatada chamada kutsunugi-ishi (沓脱石), para se tirar os sapatos antes de entrar. Na pequena entrada (nijiriguchi 躙口) da sala de chá há também esta pedra.

Toritsugi 取次ぎ (recepção ou hall de entrada). Espaço interno com piso de madeira onde chinelos são deixados para os visitantes. Atualmente é chamado de “hall de entrada”.

Ainda temos o Getabako (下駄箱) ou armários de sapatos para guardar calçados; Ganchos ou suportes para pendurar casacos e guarda-chuvas e prateleira ou armário chamado tenbukuro (天袋) para guardar pequenos objetos como chaves ou correspondências.

Ilustração de Sato Tadashi

Etiqueta no Genkan

É um aspecto essencial da cultura japonesa. Quando um visitante é convidado a entrar em casa, deve-se evitar andar descalço para não sujar o chão. Então, tire os sapatos no genkan, e acomoda-los cuidadosamente com as mãos, virando-os para fora para facilitar a retirada na saída, tomando cuidado para não virar as costas para o anfitrião ao fazê-lo. Os chinelos podem ser fornecidos para uso dentro de casa. É importante evitar pisar no piso do genkan usando apenas meias ou com os pés descalços, pois isso é considerado impuro. Em vez disso, deve-se pisar diretamente do calçado de rua para o piso elevado da área de estar.

Quando conhecidos ocasionais aparecem ou as interações são breves, os moradores costumam resolver a questão no genkan. Nesse caso, o genkan serve como um espaço informal de recepção e às vezes é decorado com um quadro ou um vaso de flores em cima do armário de sapatos. Ao sair de casa, é educado virar os sapatos de forma que os dedos fiquem voltados para a porta, facilitando o calçar. Evite colocar os sapatos no piso elevado ou voltar para o genkan com seus chinelos de uso interno.

No verão, quando o calor pede sandálias, é melhor levar um par de meias curtas para usar antes de calçar os chinelos do anfitrião. Antigamente, quando as pessoas usavam zōri 草履 (são sandálias planas de palha de arroz) ou geta 下駄 (são tamancos de madeira com dentes), lavavam os pés na entrada de terra batida ou calçavam tabi 足袋 (meias tradicionais japonesas, usadas com calçados de tiras) antes de entrar na casa.

Tirar o casaco na entrada para evitar que a sujeira entre na casa também é uma demonstração de boas maneiras. Pelo mesmo motivo, qualquer presente para a família deve ser retirado da sacola ou furoshiki em que veio embalado, e o presente em si deve ser apresentado no cômodo após as saudações formais. Se o presente for uma planta em vaso ou alimento fresco, deve ser entregue ao anfitrião no genkan, para evitar sujeira ou odores na casa.

Em resumo, as regras de etiqueta do genkan, são:

Ø  Retire os sapatos, começando pelo pé do lado mais distante do anfitrião, antes de subir para dentro da casa. Isso evita que você esbarre no anfitrião caso perca o equilíbrio ao tirar os sapatos. Ao fazer isso, tome cuidado para não pisar nos calcanhares dos seus sapatos. Se necessário, agache-se para tirar o calçado com segurança, certificando-se de não dar as costas ao seu anfitrião. Se tiver dificuldade em se agachar, sente-se no degrau depois de se desculpar. Posicione-se de lado no degrau, de forma que suas costas não fiquem voltadas para o anfitrião. Assim que você tiver os dois pés no degrau, ajoelhe-se, novamente sem virar as costas para o anfitrião. Use uma das mãos para virar o calçado arrumado e alinhado para fora da casa, colocando-o do outro lado do anfitrião ou ao lado do armário de sapatos.

Ø  Não pisar na área suja. Evite pisar com meias ou descalço na área de piso baixo onde os sapatos da rua foram deixados.

Ø  Uso de chinelos (surippas): Se lhe oferecerem chinelos (surippas), calce-os.

Ø  Ao sair da casa: vire os sapatos para fora, pise na área baixa sem pisar no chão limpo com as pantufas de dentro, e calce-os.

Ø  O espaço pode ser usado para recepções rápidas sem entrar na casa.

Além da função prática, o genkan tem significado simbólico, representando a passagem do mundo exterior para o interior, com raízes até na filosofia budista.

Atualmente, esse costume japonês tem sido adaptado em outros países como uma forma de manter a casa mais limpa e organizada.

Referência

https://www.chadourasenke.org.br/sala/genkan/

https://www.japan-experience.com/plan-your-trip/to-know/understanding-japan/genkan

https://www.nippon.com/en/guide-to-japan/gu020004/ 

domingo, 29 de dezembro de 2024

Conheça os sete deuses da sorte do Japão (Shichifukujin)

Os sete Deuses da sorte (Shichifukujin) também conhecidos como os sete Deuses da Felicidade ou os sete Deuses da Boa fortuna fazem parte da cultura e do folclore japonês incluindo o Xintoísmo, Taoísmo e Budismo. Vindo de diferentes partes da Ásia, principalmente da China, Índia e Japão e consequentemente de várias outras religiões. Foram popularizados na Era Edo (sec. XVII) pelos agricultores, comerciantes e artesões.

A palavra Shichifukujin (七福神) é composta de três palavras Shichi (sete) Fuku (sorte) jin (deuses) são divindades retratadas (de aparência cômica) juntos à bordo de um navio do tesouro (takarabune). Assim como para nós, o Papai Noel tem seu trenó, juntamente com as renas, os sete deuses têm sua Takarabune (arca do tesouro). Os deuses chegam a cada dia 31 de dezembro, no Ano Novo (O Shougatsu), em seu navio de tesouro para distribuir presentes de felicidade, fortuna e sorte.

Os Sete Deuses da Felicidade são conhecidos por trazerem sucesso na carreira profissional e nos negócios, proporcionar segurança à família, atrair dinheiro e muita sorte; por isso podem ser encontrados, expostos em estabelecimentos comerciais e casas particulares. Tornando-se popular a crença de que dormir com esta imagem atrai a boa fortuna nos negócios e o bem-estar.

Desconhecido do público ocidental esta lenda originou-se na cidade de Kyoto, através da adoração das figuras de altos oficiais, que representavam as religiões (budismo, xintoísmo e taoísmo) para os quais as pessoas passaram a rezar por colheitas abundantes e prosperidade do país. Esta crença começou aproximadamente há 500 anos quando a economia do Japão estava em crise devido a inúmeras guerras da era Muromachi (1392-1573) e na esperança de ganhos momentâneos que atenuassem os tempos difíceis.

Durante este período, os negócios comerciais passaram a tomar forma e as pessoas a desenvolver um senso de individualismo e busca por benefícios próprios. Quando a cultura popular começou a florescer - período “Edo” ou Tokugawa (1603-1868), os Sete Deuses da Sorte, tornaram-se bastante cultuados. Deu-se o início à peregrinação shichifukunjin de visita aos templos e santuários associados aos deuses com o intuito de pedi o bem-estar da família e o sucesso nos negócios.

Origem dos deuses

Dentre os 7 deuses, apenas um tem sua origem no Japão, o Ebisu. Os outros seis deuses são originários de outras culturas, como China e Índia, sendo assimilados ao longo dos séculos pela mitologia e cultura japonesa. Veja abaixo a origem de cada um deles.

  • Daikokuten, Bishamonten e Benzaiten - originárias do panteão hindu-budista da Índia
  • Hotei, Jurojin e Fukurokuju vieram das tradições taoísta-budistas da China
  • Ebisu é nativa da tradição xintoísta do Japão

Os shichifukunjin vem de diversas origens religiosas, incluindo xintoísmo, budismo e hinduísmo. Cada divindade representa diferentes virtudes e aspectos da prosperidade, tornando-os parte integrante das crenças e tradições espirituais japonesas. Desde os tempos antigos até os dias atuais, os Shichifukujin desempenharam um papel significativo na arte, no folclore e na vida cotidiana no Japão, oferecendo esperança e inspiração às pessoas que buscam sorte e sucesso.

Geralmente, eles são representados a bordo de um barco do tesouro (em japonês, “takarabune”) e são retratados juntos em pinturas, esculturas, músicas e danças. No Japão, muitos templos e santuários são dedicados a um dos deuses e, raramente, ao grupo todo.

Conheça os 7 deuses da sorte e da fortuna

Benzaiten (弁財天) - deusa das artes, do conhecimento e da beleza

Sendo a única mulher deste grupo Benzaiten ou Benten, nome japonês dado a deusa hindu Saraswati (deusa indiana) que segundo a lenda é a terceira filha do Rei Dragão de Munetsuchi e que pode se transformar em uma serpente.

Na Índia, segundo a lenda a deusa Benzaiten (chamada de Saraswati) originalmente é representada como 4 braços (onde ela segura um item simbólico em cada mão, incluindo uma flor de lótus, um instrumento musical, um livro ou manuscrito e um rosário ou colar de contas de oração). Para os japoneses sua imagem é de uma mulher bonita de longos cabelos escuros com dois braços, segurando um bandolim japonês (biwa) e geralmente sentada sobre um dragão ou serpente representando assim seu domínio sobre as artes e a música.

Benzaiten é considerada a deusa japonesa do mar, das artes em geral, do amor e da beleza. Esta deusa também traz sorte, fartura, da sabedoria para ter sucesso nas batalhas e também nos estudos. Dizem que sonhar com uma serpente branca é sinal de boa sorte.

Ela é a deusa de tudo o que flui: água, voz, música, discursos, e por consequência o conhecimento e qualquer tipo de arte. Geralmente, os templos em sua homenagem ficam próximos ao mar. Nos contos épicos japoneses muitos samurais lendários, deparam com Benzaiten em momentos difíceis e receberam dela orientações.

Os dragões e as serpentes são seus animais sagrados; as serpentes, especialmente, são suas mensageiras e por vezes a deusa aparece sob esta forma. É considerada a deusa que previne os terremotos e cuida das ilhas, especialmente a de Enoshima, onde se encontra seu principal templo.

Veja agora algumas crenças em relação a esta deusa. Dentre as crenças temos: colocar na carteira um pedaço de pele de cobra pode-se atrair dinheiro. As mulheres que queriam dar à luz a uma filha menina bonita passavam horas meditando em seus templos. Tinha uma pérola, amuleto de sabedoria, que realizava desejos. Possuir uma pintura ou estatueta dessa deusa garante saúde, beleza e desenvolve talentos artísticos.

Bishamon ou Bishamonten (毘沙門天) – Deus da Guerra e dos guerreiros

Bishamon, Bishamonten ou Tamonten tem origem Hindu e se caracteriza vestido com armadura, capacete, uma lança e um recipiente em forma de templo. É considerado o protetor dos lugares por onde Budha pregou e se tornou uma divindade budista da Índia, defensor da paz, dos justos e da lei budista.

Considerado símbolo de autoridade e tinha o poder de salvar os imperadores de doenças graves, de expulsar os demônios e a peste. Ele vive no meio da montanha sagrada de Sumeru. Traz boa sorte na batalha e na defesa e distribui tesouros e boa sorte aos pobres e pessoas dignas.

Ter sua figura desse deus em casa afugenta ladrões e preserva os bens da família.

Daikokuten ou Daikoku (大黒天) - Deus da riqueza, da agricultura e do Comércio

Este deus tem origem na Índia e chegou ao Japão via o Tibete e China. Sua imagem tanto em forma de estatueta ou de pintura, garante progresso profissional e enriquecimento ligado ao trabalho. Sua imagem por ser associada a alimentos é muito utilizada em cozinhas e casa particulares. É um dos deuses mais alegres.

Considerado deus da riqueza, comércio, fazendeiros, cozinheiros. Costuma ser representado como um homem gordo sobre fardos de arroz, sorrindo, usando roupas de caça antiga, capuz ou gorro, com uma protuberante barriga indicando que está bem alimentado e próspero, traz na mão um martelo de madeira (Uchide – no-kozuchi) que segunda a lenda, a cada batida faz surgir moedas de ouro (simbolicamente cada martelada representa trabalho) e um saco no ombro onde carrega consigo alguns tesouros que antigamente era arroz para superar a fome. Hoje, dinheiro, outros dizem que é paciência e sabedoria e no futuro...? Devido à sua associação com cozinha e alimentos, imagens de Daikoku são muito comuns nas cozinhas dos mosteiros budistas e casas particulares.

Daikokuten simboliza prosperidade, riqueza, fartura, trabalho e produção. Quem pensa em ter riquezas financeiras tendem a adorar esse deus. É muito popular entre os agricultores japoneses, pois protege as colheitas.

Ebisu (恵比須) - Deus dos pescadores, comércio e riqueza

Dentre os sete Deuses, Ebisu é o único que tem sua origem no Japão.  Por ter vindo do mar Ebisu é considerado o Deus dos pescadores e dos mares, guardião das viagens marítimas é também das plantações de arroz, da agricultura em geral e dos comerciantes.

Com seu rosto sorridente, característica que deu origem a expressão japonesa “Ebisu kao” rosto de Ebisu, que significa que a pessoa está sorrindo e feliz. Normalmente é retratado segurando uma vara de pescar na mão direita e um peixe grande na mão esquerda.

Agricultores, fornecedores e comerciantes adotaram Ebisu por representar prosperidade em troca de seu trabalho duro. Sua imagem em um estabelecimento garante sucesso nos negócios. Tornando-se assim o Deus mais popular dentre os sete Deuses.

Dizem que Ebisu não dá o peixe, mas ensina a pescar. Ebisu também representa a honestidade.

Dizem que Ebisu é filho de Daikokuten e muitas vezes aparecem juntos em esculturas e pinturas. Outros acreditam que ele foi o primogênito de Izanagi e Izanami, os deuses primordiais do Japão.

Curiosidade: O deus Ebisu também dá nome a uma cerveja popular no Japão, chamada Yebisu (forma arcaica de Ebisu, em que não se pronuncia o “y”). A empresa Sapporo, antiga Japan Beer, criou a cerveja Yebisu no final do século XIX, na época em que a maior parte das fábricas da empresa se concentrava na região sudoeste de Tóquio, onde foi construída a estação de trem de mesmo nome. A antiga fábrica de cerveja atualmente é ocupada pelo museu que leva o nome de Ebisu.

Fukurokuju (福禄寿) – Deus da sabedoria, longevidade

Este deus tem origem chinesa, seu nome é composto pelos ideogramas: Fuku (felicidade), Roku (riqueza) e Ju (vida longa). Este sábio chinês simboliza também a sabedoria, além de ser associado a popularidade.

Muitas vezes confundido com Jurojin por apresentar características parecidas, como: longa testa, possuem barba branca e comprida, são carecas e vestem roupas típica de um velho sábio chinês, além disso carregam um cajado, um pergaminho e uma garça um dos animais que simbolizam a vida longa e sabedoria. O que diferencia os dois é a garafa de sake que jurujin carregava enquanto fukurokuju carregava um leque cerimonial.

Fukurokuju é o único que tem a capacidade de ressuscitar os mortos e de sobreviver sem comer.

Acreditar-se que passar a mão na careca deste deus pode trazer sabedoria. E ganhar uma estatueta traz popularidade e garante a longevidade.

Hotei (布袋) - Deus da abundância e da felicidade

Conhecido como Buda risonho ou “Buda Gordo” tem sua origem na China. Este monge budista carrega consigo um saco de pano onde distribui alimentos e outros presentes para os pobres, seria o papel Noel do presente. Além disso, também anda com um leque que representa a autoridade de conceder desejos. Considerado com uma divindade da felicidade, boa fortuna e da benevolência. Suas características básicas são: careca, baixinho, roupa caindo pelos ombros, com uma grande barriga que simboliza seu grande coração, além de ser muito amado pelo povo.

Podemos encontrar sua imagem em restaurantes, lojas, templos e amuletos. Sua imagem remete satisfação e representa grandiosidade de espírito. No ocidente ele é confundido com o Buda Siddartha Guatama. Segundo a crença popular, apreciar ou ter uma estatueta de Hotei espanta as preocupações e esfregar sua barriga traz sorte e saúde, e contemplar sua figura espanta as preocupações. Hotei possui um ar de “inocência iluminada”.

Para os japoneses, o “hara” (ventre) representa o coração e a personalidade, portanto, devido a seu vasto “hara”, ℍ𝕠𝕥𝕖𝕚 possui uma grandiosidade de espírito. Segundo a crença popular, esfregar sua barriga traz sorte e saúde. Dizem que Hotei tem recurso interior para todos que queiram atingir a serenidade completa e sabedoria búdica.

Jurojin ou Juroujin (寿老人) - Deus da longevidade e da Sabedoria

Considerado como deus da longevidade, da sabedoria, e também da ecologia, por estar sempre viajando acompanhado de animais como: garça tipo grou (tsuru), um veado e uma tartaruga que no Japão simbolizam vida longa. Este deus é caracterizado por um idoso com longa barba branca, cabeça alongada e careca, vestido como sábio chinês, sempre sorridente segurando um cajado e um pergaminho pendurado onde contêm as escritas da sabedoria do mundo e o segredo da longevidade. Muitas vezes é confundido com o deus Fukurokuju por causa das semelhanças físicas.

Os sete deuses da sorte são representados a bordo de um barco do tesouro (em japonês, “takarabune”) e são retratados juntos em pinturas, esculturas, músicas e danças. No Japão, muitos templos e santuários são dedicados a um dos deuses e, raramente, ao grupo todo.

Sobre os Takarabune e Takaramono

No Japão acredita-se que no ano novo, os sete deuses vêm ao reino terrestre tripulando o “takarabune”, navio dos tesouros, trazendo consigo seus “takaramono” (tesouros), itens mágicos são eles: 

Kakuregasa:  Chapéu da invisibilidade, quem o usar tem o poder de ficar invisivel. Este artefato figura em inúmeros contos e lendas antigas do Japão.

Orimono: Rolos de brocado. Tecidos finos e bordados, portanto extremamente preciosos.

Kanebukuro: Bolsa inesgotável, uma bolsa que pode conter ouro, amuletos, perfumes. Essa bolsa traz boa sorte pois nunca se esvazia.

Kagi:  Chave para o “depósito” de tesouros dos Deuses. Como a sua fortuna é infinita, traz boa sorte.

Makimono:  Significa literalmente “coisa enrolada”. Esses seriam os pergaminhos da longevidade e sabedoria.

Uchide no kozuchi: Martelo mágico. presente em muitas histórias e lendas japonesas, antigas e também figura nas mais atuais, esse martelo teria o poder de conceder desejos.

Kakuremino: Capa de chuva da invisibilidade. Mino significa palha, que era usada como material para fabricar capas de chuva na antiguidade.

Hagoromo:  A palavra combina “pena de pássaro” e “túnica humana”. O hagoromo é muito bonito e concede a seu usuário o poder de voar. Hagoromo também é o nome dado as vestes de uma “Tennin”, (espírito angelical feminino) que voa e vive no “paraíso” budista.

Nunobukuro:  Grande saco de pano, que nunca se esvazia

As imagens dos Shichifukujin são vistas por todo o Japão, como estátuas de pedras, esculturas em madeira, gelo, acrílico e nos mais variados materiais e pinturas.

Superstições

Uma superstição ou tradição de Ano Novo (em japonês, “Oshōgatsu”) muito comum é colocar uma imagem com os 7 deuses no Takarabune (barco dos tesouros), debaixo do travesseiro na noite da virada para trazer sorte para o ano que está começando.

Faz parte da tradição, antes de se deitarem, as crianças colocam a imagem dos deuses sob o travesseiro para garantir um Ano Novo feliz e próspero.

Os costumes não são adotados somente pelas crianças. Durante os primeiros 7 dias do ano, famílias inteiras vão visitar templos e santuários para demonstrar respeito ao Shichifukujin.

7 deuses da sorte... 7 ervas no dia 7 de janeiro

Toda cultura tem um pouco de superstição. Nelas, os números têm significativa importância, tendo os da sorte e do azar.

No Japão, os números 4 (pronunciado "shi") e 9 (pronunciado "ku") são considerados de azar, por causa da pronúncia. "Shi" significa, também, morte e "ku", agonia ou tortura.

7 é um número auspicioso em quase todos os países do mundo, não sendo exceção no Japão. Este número cheio de mistérios é incluído em vários termos, por exemplo: 7 maravilhas do mundo, 7 pecados mortais, 7 reencarnações da alma para alcançar a iluminação (de acordo com o budismo japonês), 7 virtudes, 7 mares, 7 dias da semana, 7 cores, 7 anões, etc... Além disso, no japonês arcaico, o ideograma que representava a felicidade era formado por três números 7.

Nanakusa Gayu (七草粥) – Mingau de arroz com 7 ervas da Primavera

Além disso, no Japão, há o costume de comer o mingau ou sopa de arroz com 7 ervas no dia 7 de janeiro. Todos os anos, no dia 7 de janeiro, os japoneses observam uma tradição conhecida como Nanakusa no Sekku (七草の節句), ou Festival das Sete Ervas, comendo um mingau de arroz saudável chamado nanakusa gayu (七草粥). Acredita-se que esse costume consagrado traz boa saúde e afasta os maus espíritos durante o resto do ano.

Também chamado de "Haru no Nanakusa" (春の七草) ou sete ervas da primavera, acreditam os praticantes, removem o mal do corpo e previnem doenças. Como se comem e bebem demais no primeiro dia do ano, o mingau de 7 ervas é uma refeição que serve para reabastecer o corpo com a energia da natureza, saudável, além das vitaminas que o prato oferece.

A prática veio da China ao Japão, onde havia o costume de comer ervas recém-colhida no início do ano novo.

Essas ervas são: seri (salsa), nazuna (bolsa de pastor), gogyou, hakobera (stellaria), hotokenoza (semelhante a dente-de-leão), suzuna (nabo) e suzushiro (rabanete)

Acredita-se que comê-los no dia 7 de janeiro, atrairá boa sorte, saúde e ajudará a afastar todo o mal do corpo e doenças. Além disso, é uma refeição saudável e natural que oferece muitas vitaminas e energia. No dia 7 de janeiro é declarado o fim do OShougatsu (正月) no Japão.

Referencias:

Site: aliança cultural

https://www.japaoemfoco.com/shichi-fukujin-os-7-deuses-da-sorte/

https://arquivodacat.com/sete-deuses-da-sorte-japoneses-shichifukujin/

https://www.japan-experience.com/plan-your-trip/to-know/understanding-japan/shichifukujin

https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-12053/os-sete-deuses-da-sorte/

https://www.japaoculturaeturismo.com/2012/01/7-deuses-da-sorte-7-ervas-no-dia-7-de.html