quinta-feira, 24 de dezembro de 2020

Um pouco da história do Jiujitsu

 

Significado do Jiu-Jitsu

O Jiu Jitsu (柔術, pronuncia-se em japonês “dju-djutsu”, literalmente “Arte Suave”, “Técnica Suave” ou “Arte Flexível”), também romanizado algumas vezes como Ju-jitsu ou Ju-jutsu (principalmente quando se faz referência a estilos tradicionais). Tony Ferraz

Conheça algumas nomenclaturas utilizadas no Japão para essas artes eram: Taijutsu, Yawara, Judô (estilo marcial da era Edo, muito diferente do Judô atual), Kogusoku, Torite, Kenpo, Hakuda, Shubaku, embora sejam todas popularmente e tradicionalmente conhecidas genericamente como Jiu-Jitsu. Normalmente Kogusoku e Torite se referiam a métodos de captura, e Taijutsu e Judô geralmente se referiam a prática de luta corporal com armas e arremessos.

Origem

O Jiu Jitsu é uma arte marcial que tem diversas histórias para sua origem. Muitos acreditam que essa arte marcial teve origem no Japão, outros falam que surgiu na Índia, onde era praticado por monges budistas, que levou a arte para China e depois Japão, quando expandia o próprio budismo, e muitos outros que nasceu na China, além dessas histórias temos também muitas outras que falam do surgimento do Jiu Jitsu, como a do médico Akiyama Shirobei que foi de Nagasaki no Japão para China, aprendendo Hakuda (técnica de luta tradicional chinesa) e quando retornou, criou o Jiu Jitsu, mas essa versão da origem do Jiu Jitsu não é confiável afirmar, pois só a escola Yoshin reconhece essa história. Falam que Chen Yuan Ping, no século XVII, levou as técnicas de Jiu Jitsu da China para o Japão, e que ele ensinou três Ronin (samurais sem senhor), Fukuno Hichiroemon, Miura Yojiemon e Isogai Jirozamon, que inspirados pelos conceitos básicos, desenvolveram um estilo próprio de Jiu Jitsu, sendo que textos tradicionais japoneses mostram que Chen Yuan Ping, levou apenas o Kempô ou Hakuda para o Japão em 1659, até porque os livros chineses da época, mostram que essas técnicas eram basicamente de chutes e empurrões, o que torna difícil que essas técnicas tenham progredido para uma arte tão refinada tecnicamente quanto o Jiu-Jitsu japonês, também tem a teoria que a arte suave originou-se na Era dos Deuses, e é uma invenção puramente japonesa, assim como o Sumô, que é a arte mais antiga do país, tendo em vista a cultura de guerra dos japoneses e fato dos povos selvagens utilizarem em sua maioria técnicas de grappling, o mais provável, que as técnicas tenham evoluído a partir de um embrião de luta-agarrada, como o Sumô, que foi modificada durante séculos através dos conceitos chineses do Ju (suavidade).

“A primeira menção escrita sobre o Jiu-Jitsu está presente no livro “Judô Higakusho” (Registros secretos do Judô), da era Edo (1600-1868) que afirma: “Grappling foi popular desde o período Esei (1504-20 A.D.)””.

Hisamori Tenenuchi, foi o fundador da primeira Escola de Jiu-Jitsu no Japão, em 1532, quando houve o primeiro registro da palavra jiu-jitsu. Só quando Jigoro Kano, mestre japonês, membro do departamento cultural, que praticava jiu-jitsu, que a arte começou a ser bem vista. Jigoro Kano revolucionou a técnica, criando seu próprio estilo no final de 1800 e chamou de judô, com os mesmos fundamentos do jiu-jitsu.

Segundo Jigoro Kano, o que se pode dizer com certeza é que o Jiu Jitsu evoluiu através de diversas gerações e graças a genialidade de várias pessoas. Acreditasse que sua popularidade não aconteceu antes do meado do século XVII, ou seja, da época de Chen Yuan Ping.

O Jiu Jitsu só começou realmente a se desenvolver no Japão, quando a guerra cessou e os Samurais passaram ocupar posições políticas e com isso tinham mais tempo para se dedicar as artes e inclusive ao Jiu Jitsu, os cidadãos comuns que foram proibidos de utilizar armas, também praticavam a arte suave. A rivalidade entre as escolas de Jiu Jitsu motivou mais ainda a evolução dessa arte.

Mesmo com tantas divergências foi nessa época o Jiu Jitsu se diferenciava das técnicas rígidas nas quais usava-se armas, como espadas e punhais. Os japoneses diziam que o Jiu Jitsu é técnica de autodefesa ligada ao pensamento budista e na inteligência, não sendo necessário o uso de força bruta.

O Jiu-Jitsu, assim, nascia de sua contraposição ao kenjutsu e outras artes ditas rígidas, em que os combatentes portavam espadas ou outras armas.

A arte suave teve novos rumos quando o instrutor da escola japonesa Kodokan decidiu viajar pelo mundo provando a eficiência de seus estrangulamentos e chaves de braços contra os oponentes de todos os tamanhos e estilos. O eterno defensor das técnicas de defesa pessoal do Jiu Jitsu, “Mitsuyo Maeda, filho de lutador de sumô nascido no povoado de Funazawa, cidade de Hirosaki, Aomori, no Japão, em 18 de novembro de 1878, e falecido em Belém do Pará a 28 de novembro de 1941.” Foi para os Estados Unidos com outros professores da escola Jigoro Kano em 1904, devido aos laços políticos e econômicos entre os dois países, as técnicas japonesas tinha diversos admiradores, inclusive o presidente Theodore Roosevelt teve aulas como o japonês Yoshitsugu Yamashita.

O ágil japonês de 1,64m e 68Kg colecionou milhares de combates com adversários que encontrou pelo caminho, em diversos países como Inglaterra, Bélgica e Espanha, onde sua postura nobre fez nascer o apelido que o consagrou, Conde Koma, o lutador não parou por aí, fez diversas apresentações e desafios em países como El Salvador, Costa Rica, Honduras, Panamá, Colômbia, Equador, Peru, Chile e Argentina, só em julho de 1914 Conde Koma desembarcou no Brasil para fazer história.

Jiu Jitsu no Brasil

O japonês Mitsuyo Maeda (conhecido como Conde Koma) viajou pelo Brasil, mas se estabeleceu em Belém do Pará, depois de colecionar várias histórias durante sua viaje. Uma vez Conde Koma encarou o desafio do capoeirista conhecido como “Pé de Bola” que tinha 1,90m e quase 100kg, Maeda ainda deixou o seu rival portar uma faca, mas isso não foi suficiente para deter o japonês, que desarmou, derrubou e finalizou o brasileiro, Conde Koma sempre lançava desafios para rivais famosos do boxe, e fez o mesmo com Jack Johnson que não aceitou o desafio.

Conde Koma promoveu o primeiro Campeonato de Jiu Jitsu no país, o que na verdade era um festival com diversas lutas e desafios para promover o Jiu Jitsu que até o momento não era conhecido por todos.

Os pesquisadores Luiz Otávio Laydner e Fabio Quio Takao encontram na Gazeta de Notícias de 11 de março de 1915, as primeiras regras deste evento, realizado no Teatro Carlos Gomes, na capital do Brasil, na época Rio de Janeiro. Conde Koma anunciava o Regulamento com 10 regras simples:

1. Todo lutador deverá se apresentar decentemente, com as unhas das mãos e dos pés perfeitamente cortadas;

2. Deverá usar traje kimono, que o Conde Koma lhe facilitará;

3. Não é permitido morder, arranhar, pegar com a cabeça ou com o punho;

4. Quando se fizer uso do pé nunca se fará com a ponta e sim com a curva;

5. Não se considera vencido o que tenha as espáduas [costas] em terra ainda que tenha caído primeiro;

6. O que se considera vencido o demonstrará dando três palmadas sobre o acolchoado ou sobre o corpo do adversário;

7. O juiz considerará vencido o que por efeito da luta não se recorde que deve dar três palmadas;

8. As lutas se dividirão em rounds ou encontros de cinco minutos por dois de descanso. Tendo o juiz de campo que contar os minutos em voz alta para maior compreensão do público;

9. Se os lutadores caírem fora do tapete, sem que nenhum deles tenha avisado, o Sr. Juiz deve obrigá-los a colocar-se de novo no centro do acolchoado, em pé, frente a frente;

10. Substituirão em suas obrigações ao sr. Juiz os srs. Jurados. Nem a empresa nem o lutador que vencer é responsável pelo maior mal que possa sobrevir ao vencido, se por tenacidade não quiser dar o sinal convencionado para terminar a luta e declarar-se vencido.

Na época de Maeda havia uma confusão quanto ao nome, até mesmo no Japão, pois o termo “ju jutsu” ou “kano ju-jutsu” era utilizado quando se referia a parte técnica, e o termo judô quando era a parte filosófica, mas 1925 o governo japonês oficializou o nome judô para a luta que era ensinada nas escolas públicas, mas no Brasil o termo judô ainda não tinha sido oficializado, os brasileiros chamavam de jiu jitsu. O Jiu Jitsu Brasileiro, ou como conhecido lá fora, o Brazilian Jiu Jitsu ou BJJ (também pode ser Jujitsu ou jujutsu).

Em 1917, Carlos Gracie (1902 – 1994), viu na cidade de Belém, uma apresentação do japonês Conde Koma, que utiliza técnicas de dominar e finalizar grandes lutadores da região. Conde Koma amigo de Gastão Gracie concordou em ensinar o seu filho o inquieto Carlos Gracie e outros brasileiros como Luiz França que depois viria a ser mestre de Oswaldo Fadda. Conde Koma ensinava a esses garotos os conceitos de sua arte para defesa, tanto em pé como no chão, sendo que a força do oponente deveria ser a arma para a vitória; o uso de chutes baixos e cotoveladas ajudava a se aproximar do adversário, para daí leva-lo ao chão. Para evolução nos treinos, lançava mão do randori, o treino à vera com um companheiro.

Apesar da mãe de Carlos Gracie sonhar em ter mais um diplomata da família, Carlos se dedicou ao Jiu-Jitsu onde foi um aluno fiel e seu amor pela arte foi incutida em seus irmãos Oswaldo, Gastão Jr., George, Helena, Helio, Mary e Ilka. Em 1925 foi fundada a primeira Academia de Jiu-Jitsu da família Gracie, que criou um slogan que foi divulgado nos jornais “Se você quer ter um braço quebrado procure a academia Gracie”.

Carlos Gracie teria 21 filhos, sendo que 13 deles se tornariam faixas-pretas, Carlos foi o primeiro membro da família a participar de uma luta sem regras, a que chamou de “vale tudo”. Carlos Gracie enfrentou em 1924, no Rio de Janeiro, o estivador Samuel, atleta de capoeira.

As inovações nas técnicas do jiu-jitsu foram promovidas pelo seu irmão Hélio Gracie instrutor de corpo franzino que tinha um espirito indomável.

No Rio de Janeiro os Gracie continuaram com os desafios a capoeiristas, estivadores e valentões de todas as origens e tamanhos. Em pé os desafiantes botavam medo, mas no chão viravam presa fácil para os botes e estrangulamentos que os capturavam como mágica.

A família Gracie acumulou diversas vitórias em lutas sem regras e virando lendas e manchetes nas primeiras páginas. Os alunos famosos também – artistas, arquitetos, ministros de estado, prefeitos, governadores, cirurgiões e doutores de todos os ofícios.

Os campeonatos entre praticantes com regras exclusivas do jiu-jitsu foram se fortalecendo e tendo a participação de dezenas de academias diferentes.

Carlson Gracie pegou o bastão do seu tio Hélio nos anos de 1960, ficando na linha de frente do clã no vale-tudo, nesse momento foi dado um passo a consolidação do Jiu-Jitsu Esportivo.

A Federação de Jiu-Jitsu da Guanabara, no Rio de Janeiro, foi fundada em 1967, sob autorização da Confederação Nacional de Desportos do país. Foram criadas regras mesmo que ainda primitivas, oficializando tempo e pontuações nos campeonatos como: manobras como queda, montada de frente com dois joelhos no chão e pegada pelas costas rendiam um ponto ao competidor. A duração dos combates na categoria adulta era de cinco minutos, com prorrogação de três.

O presidente da Federação era Helio Gracie, e o presidente do Conselho Consultivo era Carlos. Seu primogênito, Carlson, era o diretor do departamento técnico. O primeiro vice técnico era Oswaldo Fadda e o segundo, Orlando Barradas – ambos professores de Jiu-Jitsu. João Alberto Barreto, notável aluno dos Gracie, foi nomeado diretor do departamento de ensino, que tinha como vice-diretor um irmão de Carlson, Robson Gracie – todos hoje grandes mestres da arte.

Nos anos 1990, a arte teve um novo boom. Em duas frentes: criado por Rorion Gracie em 1993, o Ultimate Fighting Championship deu o pontapé inicial (no queixo) no esporte midiático conhecido hoje como MMA. A partir do ídolo Royce Gracie, e com o suor derramado por irmãos e primos aparentemente invencíveis como Rickson, Renzo, Ralph, Royler, Ryan, Carley e companhia, o Jiu-Jitsu como arma de defesa pessoal estava consagrado.

Em outra frente, Carlos Gracie Jr. seguiu a obra do pai na organização dos campeonatos e no fortalecimento da arte como esporte regulado. Estava criada, assim, em 1994, a Federação Internacional de Jiu-Jitsu, assim como a Confederação Brasileira de Jiu-Jitsu, filiada ao Comitê Olímpico Brasileiro, que hoje promovem torneios para mais de 3 mil atletas de mais de 50 países, como o Campeonato Mundial, realizado anualmente desde 1996.

A técnica Jiu-Jitsu

Para derrubar o adversário utiliza-se a força e o peso do adversário contra ele, sendo permitido, inclusive, lançar o adversário em queda. São utilizadas saídas de gravata, contra-golpes, esquivas e etc. Mas as técnicas principais do jiu-jitsu, são os golpes que buscam imobilizar e neutralizar o adversário, através de estrangulamentos e torções das articulações, como braço, tornozelo, etc. É permitido o uso dessas técnicas de luta de chão, com ambos deitados.

São proibidas atitudes como: atingir os órgãos genitais, morder, enfiar os dedos nos olhos, puxar cabelo, torcer dedos, etc.

A área onde ocorre a luta, o tatame, deve ter no mínimo 64,00 m2 e no máximo 100 m2. Se a área total é de 64 m2, a área interna, onde a luta irá acontecer, deve ser de 36,00 m2. O restante é considerado área de Segurança, e deve ter cor diferente.

 

Fontes:

https://www.graciemag.com/historia-do-jiu-jitsu/

https://bjjfanatics.com.br/blogs/news/qual-e-de-fato-a-origem-do-jiu-jitsu#:~:text=Algumas%20nomenclaturas%20utilizadas%20no%20Jap%C3%A3o,conhecidas%20genericamente%20como%20Jiu%2DJitsu.

domingo, 22 de novembro de 2020

História do Judô

 

Criado no Japão, em 1882, por Jigoro Kano, tendo sido baseado no “jujutsu” – uma arte marcial praticada pelos cavaleiros do Kamakura entre os séculos XII e XIV – e em outras artes marciais do Oriente, que o Mestre Jigoro Kano fundiu num só desporto.

Durante anos, o jovem Jigoro Kano se dedicou a fazer um estudo completo sobre as antigas formas de autodefesa e, procurando encontrar explicações científicas aos golpes, baseadas em leis de dinâmica, ação e reação, selecionou e classificou as melhores técnicas dos vários sistemas de Ju-jutsu em um novo estilo chamado de Judô, ou "caminho suave" - Ju (suave) e Do (caminho ou via).

Em fevereiro de 1882, o mestre Kano fundou o Instituto Kodokan no bairro de Shimoya, em Tóquio. O termo Kodokan se decompõe em ko (palestra, estudo, método), do (caminho ou via) e kan (Instituto). Assim, significa "um lugar para estudar o caminho", o que explica muito bem a intenção do fundador da arte. Além de tornar o ensino da arte marcial como um esporte, Jigoro Kano desenvolveu uma linha filosófica baseada no conceito ippon-shobu (luta pelo ponto perfeito) e um código moral. Assim, ele pretendeu que a prática do Judô fortalecesse o físico, a mente e o espírito de forma integrada.

Com seu trabalho, Jigoro Kano conseguiu criar uma modalidade que não se restringe a homens com vigor físico, se estendendo a mulheres, crianças e idosos, de qualquer altura e peso.

Esporte olímpico

Prosseguindo com a organização da Kodokan e buscando aprovar os regulamentos do Judô, Mestre Kano tornou-se o primeiro membro asiático do Comitê Olímpico Internacional em 1909 e trabalhou para a propagação do esporte no mundo todo. Em 1932, o Mestre Jigoro Kano levou 200 alunos aos Jogos Olímpicos de Los Angeles onde fizeram uma demonstração que aguçou a curiosidade de todos os presentes. Em 1964, o judô integrou os Jogos Olímpicos de Tóquio apenas como demonstração e passou a valer medalha a partir de Munique, em 1972 como desporto masculino. Somente 20 anos mais tarde, em Barcelona, as mulheres foram aceitas e começaram a competir. Hoje, a modalidade também integra os Jogos Paralímpicos e os Jogos Olímpicos Especiais.

O judô é o esporte individual que mais deu medalhas olímpicas para o Brasil. São 22, sendo 4 ouros, três pratas e 15 bronzes. 

Jigoro Kano

Ao longo de sua vida, Jigoro Kano alcançou o doutorado em Judô, uma graduação equivalente ao 12º Dan, honraria concedida apenas ao criador do esporte. Ele trabalhou constantemente para garantir o desenvolvimento do atletismo e do esporte japonês de uma maneira em geral e, como resultado de seus esforços, muitas vezes é chamado de "Pai dos Esportes Japoneses”. Em 1935, ele foi premiado com o prêmio Asahi por sua excepcional contribuição para a organização do esporte no Japão durante sua vida. O Mestre Jigoro Kano faleceu em 1938, com 78 anos de idade.


A Introdução do Judô no Brasil*

A imigração japonesa foi o fator mais importante para o surgimento do judô no Brasil. A influência exercida por lutadores profissionais representantes de diversas escolas de ju-jutsu japonês também contribuiu para o desenvolvimento do judô. O início do Judô no Brasil ocorreu sem instituições organizadoras. Apenas na década de 1920 e início dos anos 1930 chegaram ao Brasil os imigrantes que conseguiram organizar as práticas do judô e kendô no país. Em São Paulo, destaque para Tatsuo Okoshi (1924), Katsutoshi Naito (1929), Tokuzo Terazaki (1929 em Belém e 1933 em São Paulo), Yassuishi Ono (1928), Sobei Tani (1931) e Ryuzo Ogawa (1934). Takaji Saigo e Geo Omori, ambos com vínculo na Kodokan, chegaram a abrir academias em São Paulo na década de 1920, porém, essa atividade não teve continuidade. Na década de 1930 Omori foi instrutor na Associação Cristã de Moços no Rio de Janeiro e, posteriormente, se radicou em Minas Gerais. No norte do Paraná, nas cidades de Assaí, Uraí e Londrina, o judô deu seus primeiros passos com Sadai Ishihara (1932) e Shunzo Shimada (1935). Os primeiros professores a chegarem ao Rio de Janeiro, foram Masami Ogino (1934), Takeo Yano (1931), Yoshimasa Nagashima (1935-6 em São Paulo e 1950 no Rio de Janeiro) e Geo Omori, vindo de São Paulo (1930 aproximadamente).

A chegada dos primeiros professores-lutadores também deixou o seu legado. Dentre os pioneiros se destacaram, Mitsuyo Maeda e Soishiro (Shinjiro) Satake, alunos de Jigoro Kano. Eisei Mitsuyo Maeda, também chamado Conde Koma, chegou ao Brasil em 14 de novembro de 1914, entrando no país por Porto Alegre. Junto com ele chegaram Satake, Laku, Okura e Shimisu. Em 18 de dezembro de 1915 a trupe de lutadores chegou a Manaus, mas antes disso rodou o Brasil em demonstrações e desafios. Conde Koma se radicou em Belém do Pará, em 1921, enquanto Satake ficou em Manaus, onde ministrava aulas no Bairro da Cachoeirinha ainda na década de 20. Maeda fundou sua primeira academia de judô no Brasil no Clube do Remo, bairro da cidade velha. A contribuição dos imigrantes japoneses que divulgaram o judô parece ter sido mais importante do que a contribuição de Conde Koma, e seus companheiros lutadores. Da chegada do Kasato Maru ao Brasil (1908) até a Segunda Guerra Mundial, os nomes e as práticas se confundiam. Encontra-se na literatura judô, jiu-do, jujutsu, jiu-jitsu e ainda jiu-jitsu Kano, muitas vezes para designar a mesma prática. A institucionalização do esporte, inicialmente organizada pela colônia japonesa, depois sob o controle da Confederação Brasileira de Pugilismo e finalmente a criação da Confederação Brasileira de Judô foram os passos para a diferenciação das práticas de luta e a organização do judô no país.

A Criação da Confederação Brasileira de Judô

A primeira instituição a ‘coordenar’ o desenvolvimento do judô kodokan no Brasil foi a Ju-kendo-Renmei a partir de 1933 em São Paulo e 1937 no Paraná. A partir do ingresso do judô como modalidade olímpica nos Jogos de Tokyo em 1964, passaram-se a se organizar as instituições federativas do judô brasileiro. A Confederação Brasileira de Judô foi fundada em 18 de março de 1969, sendo reconhecida em 1972, quando o Brasil conquistou a primeira medalha olímpica. A partir de 1984 o país estabeleceu uma tradição vitoriosa em Jogos Olímpicos, conquistando medalhas em todas as edições. Com federações nos 27 estados e mais de um milhão de praticantes, o judô assumiu, em 2012, a posição de esporte brasileiro com maior número de medalhas em edições dos jogos olímpicos. Além da tradição vitoriosa a CBJ possui uma estrutura moderna e organizada, proporcionando a seus atletas, treinadores e demais membros das comissões técnicas uma excelente estrutura de treinamentos e competições. Desta forma captou grande número de apoiadores e patrocinadores, já que sua marca é confiável e vitoriosa. O Campeonato Mundial de Judô foi realizado no Brasil em 1965, 2007 e 2013.

Os Presidentes que já passaram pela CBJ

1969-1979 -Augusto de Oliveira Cordeiro

1980-1981 -Miguel Martins Fernandez

1982-1984 -Sérgio Adib Bahi

1985-1990 -Joaquim Mamede de Carvalho e Silva

1991-2000 -Joaquim Mamede de Carvalho e Silva Júnior

2001- 2017 - Paulo Wanderley Teixeira

2017 - Atualmente - Silvio Acácio Borges

(Atualmente os mandatos da CBJ são de 04 anos, porém já ocorreram mandatos de 2 e 3 anos no período de 1969 a 1990.)

Código Moral

Visando fortalecer o caráter filosófico da prática do judô e fazer com que os praticantes do judô crescessem como pessoas, o mestre Jigoro Kano idealizou um código moral baseado em oito princípios básicos:

- Cortesia, para ser educado no trato com os outros;

- Coragem, para enfrentar as dificuldades com bravura;

- Honestidade, para ser verdadeiro em seus pensamentos e ações;

- Honra, para fazer o que é certo e se manter de acordo com seus princípios;

- Modéstia, para não agir e pensar de maneira egoísta;

- Respeito, para conviver harmoniosamente com os outros;

- Autocontrole, para estar no comando das suas emoções;

- Amizade, para ser um bom companheiro e amigo.

Judô feminino

A história do judô feminino começou quando parentes, esposas e irmãs dos alunos que já praticavam se interessaram pela arte desenvolvida por Jigoro Kano, em 1882. No início, o esporte era praticado pelas mulheres de forma simplificada, devido à rígida sociedade oriental, com treinos rudimentares e somente entre elas. Entretanto, essa iniciação foi importante para popularizar a modalidade e os conhecimentos que viriam a ser difundidos com mais abrangência entre as mulheres pelos próximos anos.


Assim, no ano de 1923, o tradicional instituto Kodokan, que é o centro de treinamento de artes marciais no Japão, fundou um departamento segmentado exclusivamente para o judô feminino. Com o passar dos anos, o judô migrou para vários cantos do mundo, passando a ser estudado por mulheres mundialmente, no ano de 1934. Essa arte marcial está nas olimpíadas desde 1964, mas só começou a ser disputada por mulheres em 1992. No ano de 2000, foi oficializada como disputa fixa entre elas.

Ketleyn Quadros foi a primeira mulher brasileira a chegar ao pódio olímpico em um esporte individual conquistando a medalha de bronze na categoria leve. O primeiro ouro veio nos Jogos de Londres em 2012, com piauiense Sarah Menezes no superligeiro. Neste mesmo evento a atleta Mayra Aguiar conquistou o bronze no meio pesado (78kg) em 2016, ela conquistou o seu segundo bronze. O segundo ouro feminino foi conquistado nas olimpíadas do Rio em 2016, com a atleta Rafaela Silva no peso leve feminino (57kg), o que fez dela a única judoca brasileira campeã olímpica e mundial.

 

Fonte: CBJ lutas artes marciais Agência Uva

segunda-feira, 9 de novembro de 2020

História do Kung Fu

 

Arte marcial chinesa que pode ser traduzida como “habilidade adquirida pelo esforço”. O Kung Fu é um termo que geralmente é usado para se referir a todas as artes marciais de origem chinesa. Ele começou a ser usado na década de 1970 em nível mundial, junto com a popularização do Kung Fu no ocidente pelos cinemas e televisão.

Seu significado

Kung Fu significa “trabalho árduo”.  Ele pode se referir tanto à habilidade marcial quanto qualquer habilidade em uma arte.

Assim temos a ideia de um mérito ou resultado alcançado por meio de esforço pessoal. Se pararmos para pensar, essa é a definição de qualquer habilidade. Por isso, um praticante “faixa preta” tem um bom Kung Fu da mesma maneira que um cantou ou pintor tem um bom Kung Fu nas suas áreas de atuação.

A História

Ninguém sabe ao certo quando surgiu o Kung Fu, pois existem poucas histórias fundamentadas acerca da sua origem. No entanto, surgem relatos que esta arte marcial surgiu há mais de 4.000 anos e tinha como objetivo principal a luta pela sobrevivência.

Mas foi no período da Dinastia Zhou do Oeste (1100-771 a.C) que está arte passou a ficar mais evidente. Surge uma maior necessidade de treinar as tropas, por isso houve um maior desenvolvimento nos métodos de preparação. Surgem as danças militares (wu wu) que eram rotinas de treinamento.

Desde então que esta arte marcial não mais parou de crescer, passando pelo Período da Primavera e Outono (770-476 a.C.), Período dos reinos combatentes (476-221 a.C) onde surge A Arte da Guerra (Bing Fa – 512 a.C.), de Sun Tzu, a Dinastia Qin (221-207 a.C.) onde surge as práticas energéticas do Qi Gong e o Taoismo, a Dinastia Han do Oeste (206 a.C.- 24 d.C.), a dinastia Han do Oeste (206 a.C.- 24 d.C.), na Dinastia Yuan (1271-1368 d.C.) acontece a proibição de lutar, No final da Dinastia Ming (1348-1644), as teorias marciais começam a ser associadas ao esoterismo e religião. Os períodos da história da China estão ligados a própria história do Kung Fu.

Os Estilos

Existem mais de 300 estilos reconhecidos oficialmente pela comunidade de mestres e praticantes de Kung Fu. O Kung Fu é representado por diversos estilos, dentre eles os estilos Louva-a-deus, Garra de Águia, Shaolin do Norte, Hung Gar, Taiji Quan (Tai Chi Chuan), Xing Yi Quan, Bagua Zhang e muitos mais.

Cada estilo conta a história de uma pequena comunidade e é o registro de aspectos da arte e cultura de um povo.

Estilos do Norte e do Sul

Essa é uma classificação muito comum para se diferenciar os vários estilos de Kung Fu. O Rio Yangtsé é a referência para essa divisão. Assim, os estilos são identificados pela posição geográfica em relação ao rio.

Além disso, temos o ditado: “Pernas do Norte e Punhos do Sul” (nan quan bei tui).

Norte:

Uso de pernas;

Nortenhos tem uma média de estatura maior;

Região fria, muita roupa, o que atrapalha o movimento dos braços;

Região rochosa, solo firme ajuda nos chutes.

Sul:

Uso de braços;

Sulistas tem uma média de estatura menor;

Região quente, pouca roupa favorece o uso dos braços;

Região lamacenta e irregular, solo instável prejudica o uso de chutes.

Essa divisão faz sentido, mas as exceções a essa regra são muito numerosas. Isso faz com que seu uso não seja adequado. Com certeza há estilos que se concentram mais nas pernas ou braços, porém a posição relativa ao Yangtsé dificilmente era a razão de ser disso.

Outro ponto importante é que a maioria dos estilos de Kung Fu foi criada mais ao norte. O Sul da China era muito mais próspero e estável, ou seja, sua população sofria menos com os conflitos. Foi o contexto perturbador dos povos do Norte que os fizeram desenvolver mais estilos de Kung Fu.

Benefícios do Kung Fu

O Kung Fu é uma atividade física. Por isso, ele proporciona todos os benefícios de se manter o corpo em movimento. Ao mesmo tempo, o Kung Fu é também uma arte que se baseia no comportamento adequado ante qualquer situação, principalmente sob pressão. Ele pode nos ajudar a controlar nossas emoções para agir da melhor maneira.

Benefícios no corpo e na mente

Desenvolve o condicionamento físico;

Aumenta a flexibilidade;

Aumenta a força muscular;

Melhora o fôlego;

Desenvolve coordenação motora;

Previne doenças;

Evita o desenvolvimento de doenças crônicas;

Melhora o equilíbrio físico;

Estimula a liberação de neurotransmissores essenciais para o bem-estar.

Benefícios no comportamento

Aumenta a autoestima;

Desenvolve virtudes;

Desenvolve o equilíbrio e controle emocional;

Desenvolve a capacidade de tomar decisões sob pressão;

Cria um senso de companheirismo;

Cria um senso de disciplina;

Constrói caráter.

 

Fonte: site Bravo Kung Fu